quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Conselhos de vida II



"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
... Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudade, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"

Fernando Pessoa

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Eu... muitas




Por vezes eu... não sou eu
Vejo-me de fora,
Como se fosse outra
Assisto ao que faço,
Como se a vida não fosse minha
E não me reconheço.
Sinto tudo, mas de formas confusas e desiguais.
E não sei o que se passa
Sei apenas que sou espectadora do meu ser
Mas não sei por que me acontece.
Sinto muitos sentimentos opostos num só dia
Provocados por motivos diversos
Quantos momentos divergentes
Que vão desde a  profunda tristeza,
Vagueando pela inúmera mágoa
Chegando algumas vezes à simples alegria.
Sou tantas, sendo uma só!
Existem várias diferentes dentro de mim
E todas elas se completam
Todas elas me perfazem
E todos os sentimentos
Provocados pelo exterior
Rebentam de dentro
De forma quase ingovernável.
E, agora, como posso
Estar a ser visitada pela felicidade
De um momento há tanto desejado
Quando abrigo tanta tristeza
Que me habita com firmeza?
Olho em frente
Vimos o céu
Eu e as outras
Eu vejo-o escuro e violento
Uma outra vê-o azul e brilhante
E pergunto de novo: Quem sou eu?
Vem a resposta com o sentir
Pois ninguém é uma realidade só
E sinto o dolo e o regozijo
A dor e o contentamento
E assim vou vivendo
Muitas vezes não querendo
Ser este misto de emoções
Esta desordem de agitações
Onde o início e o fim de tudo
É apenas um: o amor!




sábado, 24 de setembro de 2011

Desisto


Não sei por que ainda insisto
Por que teimo, por que admito
Que este sentimento que me consome
Me magoa e engana
Pode um dia ser melhor
Transformar-se, ser diferente
E não me causar mais dor.

Iludo-me com algumas palavras
Com actos, sempre por fazer
Quando dentro de mim, sei não ser verdade
A Verdade que não quero ver.

Vou aceitando fragmentos
Sabendo que nunca terei o todo
Porque esse, é interdito
E se quer dar a Ninguém.

Vivo triste e com mágoa
Mesmo sem o merecer
Mas assim não tinha que ser
Pois podia ser elementar
Como as coisas superiores da vida
E, simplesmente, acontecer.

Passam os dias e os meses
E  os ventos, nas noites
Levam o que nem chegam a trazer.
O tempo não é protector
Não se compadece nem me ajuda
Nesta luta imerecida e inútil
Nesta conquista fútil
Nesta teimosia sentimental
Nesta minha insânia actual.

Vou desistir deste desatino,
Aceitar o meu destino
Olhar em frente,
Admitir este fracasso 
E eternamente soltar 
Esta quimera que me acossa.
Vou desistir...

É Proibido





"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual."

Pablo Neruda

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Última viagem


Há quatro semanas que fizemos a nossa última viagem juntos mas mesmo assim ainda te espero.
Fomos todos devagar naquela grande carrinha cinzenta (como tu gostavas de carrinhas!) e em silêncio, até à tua nova casa.
Não gostei... sinceramente que não gostei. Há uns anos atrás eras tu que ias ao volante e que me pedias as coordenadas, que me pedias para te ir indicando o caminho. Desta vez, nada disseste e limitaste-te a ser conduzido, sem nada dizeres, sem te opores, sem te zangares comigo, um pouco que fosse.
Ia sentada à tua frente, tentando manter-me em silêncio, mas sabes que não consegui. Estava a ser violento demais, duro demais para eu nada dizer... para eu conseguir não chorar.
Contudo, ninguém me ouviu, ninguém me teve em conta e a viagem continuou sem que eu a quisesse fazer... sem que nós a quiséssemos fazer.
Estávamos todos tristes e revoltados, mas limitámo-nos a ser conduzidos, como se fossemos uns robots, como se não tivéssemos vontade própria.
Nessa manhã o sol brilhava, mas eu não o via. Aliás, desde esse dia que ele se tornou para mim mais sombrio e nunca mais brilhou da mesma forma.
O teu novo espaço já estava à tua espera... aberto, fundo, frio, escuro.
Era impossível fugires... era impossível eu tirar-te dali, por muito que o quisesse fazer, por muito que quisesse que eles parassem... que quisesse que tudo parasse.
E entraste nele desaparecendo para sempre, para sempre, para sempre!
Tenho ido visitar-te mas tu não me vês e nada me dizes. Permaneces escondido, calado...
Mas eu... continuo à tua espera para juntos podermos ir de novo passear... para que o sol possa de novo brilhar com a mesma intensidade... para que tudo volte a ser como era.
Disseram-me que com o passar dos dias tudo seria mais fácil, mas mentiram-me.
Tenho tantas saudades tuas... fazes-me tanta falta!!!


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

VAI-TE





"Por que voltaste? Esquecidos
Meus sonhos, e meus amores
Frios, pálidos morreram
Em meu peito. Aquelas flores
Da grinalda da ventura
Tão de lágrimas regada,
Nesta fronte apaixonada
Cingida por tua mão,
Secaram, mortas estão.
Pobre pálida grinalda!
Faltou-lhe um orvalho eterno
De teu belo coração.
Foi de curta duração
Teu amor: não compreendeste
Quanto amor esta alma tinha...
Vai, leviana andorinha,
A outro clima, outro céu:
Meu coração? Já morreu
Para ti e teus amores,
E não pode amar-te — vai!
O hino das minhas dores
Dir-to-á a brisa, à noite,
Num terno, saudoso — ai —
Vai-te — e possa a asa do vento
Que pelas selvas murmura,
Da grinalda da ventura
Que em mim outrora cingiste,
Inda um perfume levar-te,
Morta assim: como um remorso
Do teu olvido... eu amar-te?
Não, não posso; esquece, parte;
Eu não posso amar-te... vai!"

Machado de Assis