Há quatro semanas que fizemos a nossa última viagem juntos mas mesmo assim ainda te espero.
Fomos todos devagar naquela grande carrinha cinzenta (como tu gostavas de carrinhas!) e em silêncio, até à tua nova casa.
Não gostei... sinceramente que não gostei. Há uns anos atrás eras tu que ias ao volante e que me pedias as coordenadas, que me pedias para te ir indicando o caminho. Desta vez, nada disseste e limitaste-te a ser conduzido, sem nada dizeres, sem te opores, sem te zangares comigo, um pouco que fosse.
Ia sentada à tua frente, tentando manter-me em silêncio, mas sabes que não consegui. Estava a ser violento demais, duro demais para eu nada dizer... para eu conseguir não chorar.
Contudo, ninguém me ouviu, ninguém me teve em conta e a viagem continuou sem que eu a quisesse fazer... sem que nós a quiséssemos fazer.
Estávamos todos tristes e revoltados, mas limitámo-nos a ser conduzidos, como se fossemos uns robots, como se não tivéssemos vontade própria.
Nessa manhã o sol brilhava, mas eu não o via. Aliás, desde esse dia que ele se tornou para mim mais sombrio e nunca mais brilhou da mesma forma.
O teu novo espaço já estava à tua espera... aberto, fundo, frio, escuro.
Era impossível fugires... era impossível eu tirar-te dali, por muito que o quisesse fazer, por muito que quisesse que eles parassem... que quisesse que tudo parasse.
E entraste nele desaparecendo para sempre, para sempre, para sempre!
Tenho ido visitar-te mas tu não me vês e nada me dizes. Permaneces escondido, calado...
Mas eu... continuo à tua espera para juntos podermos ir de novo passear... para que o sol possa de novo brilhar com a mesma intensidade... para que tudo volte a ser como era.
Disseram-me que com o passar dos dias tudo seria mais fácil, mas mentiram-me.
Tenho tantas saudades tuas... fazes-me tanta falta!!!
