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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Última viagem


Há quatro semanas que fizemos a nossa última viagem juntos mas mesmo assim ainda te espero.
Fomos todos devagar naquela grande carrinha cinzenta (como tu gostavas de carrinhas!) e em silêncio, até à tua nova casa.
Não gostei... sinceramente que não gostei. Há uns anos atrás eras tu que ias ao volante e que me pedias as coordenadas, que me pedias para te ir indicando o caminho. Desta vez, nada disseste e limitaste-te a ser conduzido, sem nada dizeres, sem te opores, sem te zangares comigo, um pouco que fosse.
Ia sentada à tua frente, tentando manter-me em silêncio, mas sabes que não consegui. Estava a ser violento demais, duro demais para eu nada dizer... para eu conseguir não chorar.
Contudo, ninguém me ouviu, ninguém me teve em conta e a viagem continuou sem que eu a quisesse fazer... sem que nós a quiséssemos fazer.
Estávamos todos tristes e revoltados, mas limitámo-nos a ser conduzidos, como se fossemos uns robots, como se não tivéssemos vontade própria.
Nessa manhã o sol brilhava, mas eu não o via. Aliás, desde esse dia que ele se tornou para mim mais sombrio e nunca mais brilhou da mesma forma.
O teu novo espaço já estava à tua espera... aberto, fundo, frio, escuro.
Era impossível fugires... era impossível eu tirar-te dali, por muito que o quisesse fazer, por muito que quisesse que eles parassem... que quisesse que tudo parasse.
E entraste nele desaparecendo para sempre, para sempre, para sempre!
Tenho ido visitar-te mas tu não me vês e nada me dizes. Permaneces escondido, calado...
Mas eu... continuo à tua espera para juntos podermos ir de novo passear... para que o sol possa de novo brilhar com a mesma intensidade... para que tudo volte a ser como era.
Disseram-me que com o passar dos dias tudo seria mais fácil, mas mentiram-me.
Tenho tantas saudades tuas... fazes-me tanta falta!!!


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Adeus, Ana... dorme em paz na eternidade



De quando em quando a vida prepara-nos dores para as quais não nos achamos preparados.

Leva-nos para longe da vista aqueles que amamos e a quem estamos ligados.


São dores inexplicáveis, atrozes, incompreensíveis, inaceitáveis. Faz-nos falta a forte presença física, o toque suave e doce, o brilho do olhar, o calor da voz...


Sabemos que eles permanecerão para sempre dentro do nosso ser, dentro do nosso coração, mas tudo isso parece insuficiente comparado com a violência da partida, com a certeza do não regresso...


Esta é a nossa vida terrena, o nosso ver, o nosso não querer.


Antes disso temos "medo" de dizer que amamos, perdemos tempo precioso com rixas e ódios de estimação, não queremos rir ou chorar com receio do que os outros possam pensar de nós.
Somos tolos!
Vamos passar a valorizar todos os pequenos momentos que passamos com os que amamos, pois eles são sempre preciosos e inigualáveis, insubstituíveis, únicos... e nunca sabemos se eles vão ou não ser os últimos, os derradeiros...

Talvez possamos viver intensamente cada momento como se fosse o último (isso sim, vale a pena) e registá-lo de tal forma que ele possa perdurar quando tudo o resto parece ter acabado.


Agora foste tu que partiste, contra a tua vontade, contra a nossa vontade, deixando no coração dos que te amam um vazio difícil de colmatar.
Deves ter sido feliz ao longo da tua pouco longa vida mas esse facto pode deixar alguma felicidade e causar algum consolo.

Vamos ficar contigo sempre, lembrar-te e guardar com carinho quem tu vais continuar a ser.


Dorme em paz, menina, dorme em paz na nossa eternidade de seres humanos e sê feliz para onde quer que vás!