
De quando em quando a vida prepara-nos dores para as quais não nos achamos preparados.
Leva-nos para longe da vista aqueles que amamos e a quem estamos ligados.
São dores inexplicáveis, atrozes, incompreensíveis, inaceitáveis. Faz-nos falta a forte presença física, o toque suave e doce, o brilho do olhar, o calor da voz...
Sabemos que eles permanecerão para sempre dentro do nosso ser, dentro do nosso coração, mas tudo isso parece insuficiente comparado com a violência da partida, com a certeza do não regresso...
Esta é a nossa vida terrena, o nosso ver, o nosso não querer.
Antes disso temos "medo" de dizer que amamos, perdemos tempo precioso com rixas e ódios de estimação, não queremos rir ou chorar com receio do que os outros possam pensar de nós.
Somos tolos!
Vamos passar a valorizar todos os pequenos momentos que passamos com os que amamos, pois eles são sempre preciosos e inigualáveis, insubstituíveis, únicos... e nunca sabemos se eles vão ou não ser os últimos, os derradeiros...
Talvez possamos viver intensamente cada momento como se fosse o último (isso sim, vale a pena) e registá-lo de tal forma que ele possa perdurar quando tudo o resto parece ter acabado.
Agora foste tu que partiste, contra a tua vontade, contra a nossa vontade, deixando no coração dos que te amam um vazio difícil de colmatar.
Deves ter sido feliz ao longo da tua pouco longa vida mas esse facto pode deixar alguma felicidade e causar algum consolo.
Vamos ficar contigo sempre, lembrar-te e guardar com carinho quem tu vais continuar a ser.
Dorme em paz, menina, dorme em paz na nossa eternidade de seres humanos e sê feliz para onde quer que vás!