sexta-feira, 11 de março de 2011

A vida... uma empresa





"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma . É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fogo que arde















Ardo
Neste fogo vivo
Nesta vida afogueada
Nesta dor de não sentir

Ardo
Ao sabor dos acontecimentos
Ardentes
Sem querer o que tenho
Sem ter o que quero

Ardo
Nesta vida em que não vivo
Nesta vivência que me mata
Nesta lenta morte latente

Ardo
De forma consciente mas insana
Nesta já insensata forma de estar
Nesta insensatez lúcida

Ardo
Num fogo parecido ao Inferno
Numa terra, esquecida e queimada
À espera que a chama se quede
E a dor se vá!

Ardo
Numa fogueira já sem fumo
Numa chama já sem pavio
Em que a própria labareda
Já ardeu!

Ardo
E mesmo o crepitar é triste
Mesmo o lume é frio
E ninguém ouve o meu arder...

Ardo!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Nove anos



Finalmente encontrei-me.
Descobri o meu corpo frio
Nove anos depois de ter partido.
Quis punir e pôr todos à prova
Os meus amigos e os meus não amigos
A família próxima e a mais distante
Os vizinhos e os conhecidos
E, à vez,
Todos chumbaram no exame.

Previsivelmente, ninguém deu pela minha ausência
Apenas porque ninguém dava pela minha presença.
Morri tal como vivi, sozinha
E entregue a mim própria.

No meu último suspiro escolhido
Somente tive por companhia
Quem sempre me acompanhou
De forma sentida,
Única e verdadeira: o meu cão
Que, fiel, preferiu partir comigo.
Talvez o mundo tenha ficado na mesma
Pois eu nunca consegui
Fazer a diferença
Mas, agora que sei onde estou
Apenas posso dizer
Que o mundo ficou mais pobre sem mim
E quem disse que me amou
Jamais poderá ter sossego e paz
Porque mentiu.
Paz! Agora, onde estou, tenho Paz
E sinto amor... pelo menos o meu amor
Por mim própria.
Parti, virando as costas
A esta sociedade vil e cruel
Que deve agora meditar
E tentar alterar a forma de tratar
Todos os velhos que vegetam
Na sua solidão!
Finalmente, encontrei-me!



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Aprendizagens





Por fim aprendi a mentir!
Montei-me em palavras enganadoras
E disfarcei a dor que sinto
Agora, de tão convicta
Ninguém acredita que minto!

Digo que não sofro
E que amo a solidão
Mas no fundo, bem no fundo
Não gosto de estar sozinha, não!

E mesmo assim ainda minto
Porque tenho comigo a Dor
Forte, alegre, vivaça
Que me toma toda a energia
Por isso, não estou sozinha
Tenho a Dor como companhia.

Ela é grande e atrevida
Porque toma várias formas
E vive dos meus sentimentos.
Obriga-me assim a mentir
Para a conseguir esconder.

Tive bons ensinadores e
Finalmente aprendi a mentir
E a dizer que não sinto o que sinto...

Agora, é tarde, e não há nada a fazer.
Perdi a inocência
Morreu dentro de mim a verdade
Que mesmo assim conservo escondida
Num canto esquecido do meu coração.

Finalmente aprendi a mentir!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Perdi o barco


Sei que não foi de repente, mas a mim até me pareceu... sei apenas que perdi definitivamente o barco!

Tive dificuldade em chegar ao cais pois andei muito tempo à deriva ou a nadar contra a maré; quando finalmente o atingi, permaneci nele à espera de conseguir forças para comprar um bilhete, num lugar decente... e o tempo foi passando sem esperar por mim ou sem me ter em conta... e eis que o barco já partiu e eu acabei por ficar retida no cais, sem conseguir lugar para entrar.

Encontro-me irremediavelmente sozinha e isolada de todos, aqui neste embarcadouro agora à espera de uma outra viagem. Nessa tenho a certeza de que conseguirei embarcar sem preocupações... só não sei quando.

Esgotei as forças para me insurgir contra o que quer que seja mas estou também demasiado fraca para aceitar o que me foi destinado. Não protesto, mas não aceito; não quero mas não posso rejeitar...

O rio vai correndo com águas sempre exaltadas que, em turbilhão, me roubam do cais e me impelem até ao mar. Já não vou nadar... deixo-me apenas arrastar até a exaustão me consumir...

Já não sei onde estou...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Antes que seja tarde




Antes que se torne insuportável
Ainda com os olhos húmidos
Vou esboçar um sorriso
Neste rosto sem expressão
E libertar, um a um,
Todos os meus pássaros feridos.

Antes que a dor seja insustentável
Vou soltar todos os meus sonhos
Para que eles possam encontrar
Um novo hospedeiro,
Deixando-me, a mim,
A liberdade de não os querer.

Antes que se torne incontrolável
Vou deixá-los partir
E uma nova meta vou traçar
Sem utopias ou devaneios
Sem ilusões ou anseios
Para não ter mais que desejar
E, vazia, a vida poder atravessar.

Antes que se torne inviável
Vou deixá-los voar
Pois, também eles, estão a sufocar.

E, sem esta dor de partilha
Sem o peso do inalcançado
Sem a mágoa do inconcretizado
Antes que seja tarde,
Vou, agora, uma nova vida começar!