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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Morte


Fecha-se assustadoramente o cerco.
Ela não pára a sua tarefa incansável. Este ano escolheu os meus para ter o que fazer.
Tem-me levado discriminadamente pessoas e animais de uma forma e a uma cadência que me assusta e dói.
Anda à disputa com a outra que lhe é oposta, mas ainda não se decidiram quanto a mim, que nada faço por aqui, que já me cansei de tudo e cada vez me é mais difícil lidar com as perdas sucessivas, com as derrotas contínuas, com o esquecimento e com o desamor.
Talvez não haja uma sequência lógica, uma escolha criteriosa, uma selecção cuidada, regras específicas. Mas o que é certo é que vai acontecendo, de forma tão compassada que quase já me permito dizer quando e quem vai ser o próximo.
Hoje foi mais um para aquela que dizem ser a morada eterna. Eterna...
Queria colocar-me na fila, tornar-me voluntária, assim, de forma quase despercebida para ver se era contemplada, mas parece que as coisas  não funcionam desta forma, ainda que tudo me pareça aleatório.
Lidar com a morte, faz-me sentir menos viva, menos incentivada para querer continuar a ver o sol.... e a ver o sofrimento de quem fica.
Ela anda por aí e o cerco fecha-se cada vez mais!

JC - Inédito

terça-feira, 30 de agosto de 2011



Agora, apenas o meu corpo está vivo
E só o meu físico se manifesta
Pois por dentro, morri.
Fui morrendo aos poucos
Aniquilada por ti, meu progenitor
Que partiste para sempre
Levando parte do meu coração;
Abatida por ti, forasteiro
Que um dia, em engano
Disseste que me amavas
E depois desapareceste
Com mais outro pedaço da minha alma;
Ceifada por ti meu descendente
Que fugiste para longe
Buscando a tua vida
E roubando um pouco mais do meu ânimo;
E por ti, pequenino
Que por o seres,
Também me esqueceste.
Já nada sinto, nada desejo, nada almejo.
O passado não me preenche
O presente não me interessa
E o futuro não existe.
A tristeza dominou-me
A dor, tomou conta do meu ser
Mas não do meu corpo
E, depois de ele também apodrecer,
Vou partir
Para um qualquer outro lugar
Onde não tenho um corpo
Mas posso sentir e amar
E, sem medo do abandono
Ou da dor
Poderei ser feliz e
Para sempre irei sonhar..
Porque agora... apenas o meu corpo está vivo!