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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Saudades... ai as saudades...




Saudades... ai as saudades... ainda as saudades... sempre as saudades!
Saudades do colo da minha mãe, saudades do abraço do meu pai, saudades do beijo do meu filho, saudades do sorriso do meu neto, saudades do amor que não tive.
Saudades dos que partiram para sempre e não podem voltar, saudades dos que estão mas  partiram e não querem regressar, saudades dos que nunca foram meus.
Saudades de uma vida que não vivi, saudades de parte da vida que foi minha, saudades de mim e do meu acreditar, saudades do meu sorriso e da minha alegria.
Saudades más, sempre saudades más porque doem, não cabem dentro do peito e fazem sofrer, fazem escurecer os dias de sol, fazem arrefecer as noites quentes e a vontade de viver.
Saudades do tempo em que a esperança era minha companheira, saudades do tempo em que a solidão não me doía, saudades de uma família.
Saudades... ai as saudades que me consomem... sempre saudades...cada vez mais saudades e mais dor!
Saudades... como as aguentar??

JC - Inédito

terça-feira, 19 de julho de 2011

Chama extinta


Murcha a chama que já não chega
Salta o choro, a chiar
Chamo-te... mas não te oiço
E em choque
Aconchego-me no chão
Manchado pela chuva.
Chamo-te de novo
Mas não ouves a chamada
E choro ainda mais.
Sem me mexer
Espero que chegue
A resposta, a chave, o motivo
Mas... nada!
Acho que fui esquecida
E que a chama
Para sempre se vai extinguir
Qual flor sem cheiro
Qual cacho sem uvas
Cresce a desilusão e a melancolia
Cresce a solidão e a dor
E, de coração rachado
De rosto roxo pelo choro
Apago a chama
Viro as costas com vigor
E, baixinho, parto à procura
De um novo ardor!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Momentos



Tenho momentos de chumbo
Momentos grandes de horrores
Em que os medos tomam cores
E parecem o fim do mundo.

Tenho momentos de tristeza
Em que a mágoa é tão grande
Que a dor até parece beleza
Mesmo que nunca abrande.

Tenho momentos de suspeitas
Em que de tudo duvido
E tudo são apenas maleitas
Que me sopram ao ouvido.

Tenho momentos de angustias
Provocados pelos teus silêncios
E afastamentos e ausências
Que me baralham os sentimentos.

Tenho tantos maus momentos
Em que só quero desistir
De nesta vida assim viver
De assim continuar a existir.

Tenho momentos tão negros
Mais negros que a própria escuridão
Em que nada vale a pena
E tudo me traz solidão!

Tenho momentos de tristeza...

sábado, 4 de junho de 2011

Desalento


Hoje acordei desalentada
Triste, revoltada
De tanto labutar
De tanto confiar
E de nunca conseguir nada.

Pensamento positivo
É-me sempre insuficiente
E à força de em mim acreditar
Sinto-me, finalmente, doente.

Não vale a pena competir
Não vale a pena querer
O resultado é sempre negativo
Mesmo com esforço e entrega
Num acto vingativo
A vida tudo me nega.

Estou cansada, frágil, esgotada
Pois tudo me é adverso.
No que posso crer
Ou o que devo desejar
Neste mundo tão perverso
Em que tudo, vale nada?!

O melhor é desistir
Deixar andar
Não me empenhar
Quem sabe o que vou conseguir...

Tenho duvidas
Tenho medos
Tenho anseios
Tenho fraquezas
E muitos receios
Tenho temores
E outros horrores
Tenho dores...

E neste sofrimento
Em que estou neste momento
Quero ser avestruz
A cabeça, bem fundo esconder
E esta dor deixar morrer.

Depois, virá outro dia
Em que voltarei a fingir
Que sou forte e estou alegre
E que a vida abraço a sorrir
Mas hoje, acordei desalentada.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

De mansinho





Chega sempre tímida e de mansinho.
Traz cores suaves
Odores subtis
Cores envolventes.

Chega... e namora-me.
Seduz-me quase à distância.
Sorri-me veladamente
E finalmente conquista-me!

Oh que fraca sou
Que a conheço e me deixo envolver!
Sei que ela me quer
Mas também sei que me magoa
Uma vez
E outra
E outra ainda, repetidamente!

Mas não lhe resisto
Pois, estranhamente, ela conhece-me,
acarinha-me,
Seca-me as lágrimas que me fomenta.
Gosta de mim à sua maneira...
Experimenta até não me ferir
Com as suas garras escondidas...

Mas também não me resiste
A mim
Sempre exposta e provocante
Ondulando as ancas em cada silêncio
Sacudindo os cabelos ao vento em cada lembrança
Fazendo-lhe olhares gulosos em cada pensamento!

E depois... sei que me faz companhia,
Que por algum tempo
Quebra a minha solidão
E num rasgo de paixão e loucura
Abro-lhe os braços e digo:
"Estou aqui! Entra dentro de mim!"

Depois.... depois é a fusão
E as duas, unidas
Fazemos uma só.
De que me queixo então?
Da sua companhia
Ou da dor que me provoca?
Da sua insistência
Ou da sua arrogância?!

Aceito-a, de novo em silêncio.
Talvez precise da sua dor
Para me purgar
E deixo-a habitar em mim
Até ela querer, até eu
Frágil mas persistente
A expulsar, de novo
Uma vez e outra,
E outra...
Para finalmente lhe poder dizer:
"Adeus tristeza,
Até depois!!"

terça-feira, 13 de abril de 2010

Visitas não convidadas


Ela veio de novo visitar-me e provavelmente vai querer habitar-me temporariamente. Só que eu não a convidei... pelo menos voluntaria e conscientemente.

Achamos que somos uma pessoa, mas aos olhos dos outros somos alguém diferente. Desejamos ser de determinada forma, mas somos de outra apenas porque não conseguimos ser essa "tal" pessoa ou pura e simplesmente porque não nos deixam.
E é também por isso, talvez, que ela me visita.

E vem o calor excessivo, ofertando suores, seguido de um frio de rachar, que faz tremer o queixo. Uma escuridão de breu de meter medo, seguida de um sol resplandecente que fere a vista. Um peso inexplicável às costas e simultaneamente sentir asas para voar.

Mais o medo. O querer e o não conseguir. E decididamente sei que o que incomoda não é o receio do desconhecido, do que pode vir a seguir. Isso não, pois quase tudo o que era desconhecido e podia acontecer, já aconteceu.

Mas ele está comigo. Olho para trás e pouco mais consigo do que o que ficou por fazer, por alcançar, por atingir. Poderia e deveria ver o que foi feito... mas é tão pouco importante e desinteressante, que passa despercebido no meio de tudo o resto.
E são também as lágrimas salgadas, seguidas de gargalhadas estridentes, descontroladas e patéticas. A alegria e o bem-estar que são rapidamente engolidos por ela... teimosa, ganhadora, valente!

É tudo isso ao mesmo tempo colocado no misturador gigante e desmesurado em que a minha cabeça se tornou.

É o estar definitivamente deslocada em qualquer que seja o lugar, é o sentir que estou a mais ou que não pertenço a lado nenhum, que deixei de ter raízes e referências ou que, pura e simplesmente, nunca as tive.

Mesclam-se, atropelam-se as ideias e os sentires... só sei a dor. Já nem sei as palavras. Apenas os sentimentos, também eles destemperados, inqueridos.

Vou-me embora. Parto. Quero fugir de mim. Começo a fugir de mim própria. Viro-me as costas, mas persigo-me. Estranha forma esta¸ de ser, de estar, de amar. Era tão mais fácil ser outra pessoa! Como ser quem não sou?

São as lágrimas que vencem o riso. Tremo de novo.
Já não sei bem o que sou o que me tornei... no que me tornaram. Mas sei apenas e ainda o que quero, o que preciso, mas não quero admitir... digo apenas baixinho porque a fraqueza pode vencer-me também.

Fica o vazio.
Fica o que não tenho.
Fica-me a companhia da minha visita.
Por quanto tempo irá ela ficar comigo?
"Pensamento positivo. Não a deixes ficar. Não lhe dês guarida!" oiço sussurrar bem baixinho no fundo de mim...