
Sempre fiz o que julgava estar certo
Mas o destino, que é vil e mesquinho
Sempre pegou em mim e no que não consegui fazer
Para me castigar e fazer doer.
Sempre quis fazer o que entendi ser certo
Mas o infortúnio rondou continuamente por perto
Pois o resultado foi sempre mau
E agora, vejo-me quase só, neste deserto!
Não agradei a gregos nem a troianos
Desgarrada, apenas sofri enganos e desenganos.
Então penso: "E se eu fizer o que está errado?"
Pode ser que engane o fado
Me vista de desconhecida
E consiga, agora, bom resultado!
E se, por uma vez, fizer o que está errado
Deixar de ser sincera, puser o sentimento de lado
Caminhar incógnita mas de espírito pesado
Passear pela impostura, como qualquer outra criatura?
Sempre fiz o que entendi estar certo,
Encarei o mundo de coração aberto
E eis que estou aqui, sozinha, no deserto
Porque o desalento tornou-se um monstro
E está eternamente perto.
Sempre fiz o que pensava estar certo
E hoje, resta-me a consolação desta leveza no coração.