
Liberta-te, escravo involuntário da vida levada a sério
Pois mesmo sem saberes
O tempo da opressão também é feito por ti.
Entrega-te com afinco à dissimulação
E finge não sentires essa dor que te apaga
Sem hipocrisia aprende o prazer da existência fácil
Sem pensar, sem exigir, sem querer
E disfarça o teu sofrimento com risadas
Ocultando as lágrimas ensanguentadas do teu querer.
Não te anules, mas vive como se fosses outro
Encobre a tua ira com gestos doces
Não lamentes o que não tens
E elogia o que possuis
Porque esse teu dom... não vais permitir que to roubem
Pois mesmo sendo outro
Não deixas de ser tu
Tens o teu mundo interior
O teu desejo e a tua força
O teu conhecimento e o teu invento.
És agora um homem livre
Com a luz no lugar do esquecimento
Com a alegria no lugar da tristeza
Erguido, firme, hirto
Determinado mas impotente
Perante o castigo exigido e imposto.
Ri da tua dor. Acende as luzes da tua ribalta
Acena com bravura aos demais, ignorantes
Sorve com avidez o ar que neste momento te envolve.
E, num gesto mudo, continua a gritar para ti:
Sou livre neste Mundo!