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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"Carlota" - O livro


"As paredes da sua casa pareciam as paredes de um templo grego onde, em vez de estarem escritas profecias adivinhadas por uma sacerdotisa, estavam registos nostálgicos de vida.

Elas estavam plenas de uma escrita desconexa e incompreensível, sem lógica... para os outros. Ela sabia onde estava o início e o fim de cada frase e qual a sequência no raciocínio que ela seguira; não era difícil; era apenas necessário sentir e pensar da forma que Carlota pensava. E Carlota respirava sentires.

Dentro das suas veias corriam emoções e o seu coração batia paixões sucessivas, quase todas elas sofridas e desgastantes, frustradas e frustrantes. Dentro destas corriam ainda rios de letras, pontos, vírgulas , reticências e muitas, muitas palavras que não chegavam à foz, ficando aprisionadas em barragens de mutismo, situadas na garganta..."