
Depois de uma gravidez não planeada, nasceu antes de tempo, sozinha, de forma apressada.
Foi aceite pelos irmãos que depressa se aborreceram dela, logo que começou a expressar o seu querer e o seu estar.
Também de forma rápida, cresceu e expulsou de casa os irmãos, tendo ficado, sozinha com os pais.
Sempre velozmente os anos passaram o suficiente para ela estudar, obter o seu emprego e casar.
E depressa teve o filho, que, esse sim, demorou a nascer.
Mas também depressa o casamento acabou.
E ela ficou sozinha de novo.
E bem cedo, o filho cresceu e voou do ninho.
E ela ficou ainda mais sozinha.
E com rapidez o filho teve um filho.
E mais sozinha ainda voltou a ficar.
E com toda esta correria, este despachar de situações, ela foi envelhecendo e ficando cada vez mais e mais isolada, cada vez mais distante de tudo e de todos.
Nessa vida apressada foi fazendo amigos descartáveis, que depressa desapareceram. Nessa vida apressada, não teve tempo de viver, de se dar a conhecer, de deixar algo de si.
A loba solitária que foi desde sempre, roubou-lhe os sonhos e o querer e, por isso, um dia, ela também teve pressa de morrer, talvez com a única ilusão de que poderia ter uma outra vida, recomeçar tudo de novo e de forma diferente, sem pressas, sem diferenças, sem exclusões.
Partiu, depressa, sem aviso, mas, afinal, não voltou nunca.
Foi a pressa que a trouxe e foi ela que a levou.
De toda essa vida conseguiu deixar apenas uma pergunta: Porquê?
Mas também foi esquecida com velocidade.