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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

História rápida de uma vida





Depois de uma gravidez não planeada, nasceu antes de tempo, sozinha, de forma apressada.
Foi aceite pelos irmãos que depressa se aborreceram dela, logo que começou a expressar o seu querer e o seu estar.
Também de forma rápida, cresceu e expulsou de casa os irmãos, tendo ficado, sozinha com os pais.
Sempre velozmente os anos passaram o suficiente para ela estudar, obter o seu emprego e casar.
E depressa teve o filho, que, esse sim, demorou a nascer.
Mas também depressa o casamento acabou.
E ela ficou sozinha de novo.
E bem cedo, o filho cresceu e voou do ninho.
E ela ficou ainda mais sozinha.
E com rapidez o filho teve um filho.
E mais sozinha ainda voltou a ficar.
E com toda esta correria, este despachar de situações, ela foi envelhecendo e ficando cada vez mais e mais isolada, cada vez mais distante de tudo e de todos.
Nessa vida apressada foi fazendo amigos descartáveis, que depressa desapareceram. Nessa vida apressada, não teve tempo de viver, de se dar a conhecer, de deixar algo de si.
A loba solitária que foi desde sempre, roubou-lhe os sonhos e o querer e, por isso, um dia, ela também teve pressa de morrer, talvez com a única ilusão de que poderia ter uma outra vida, recomeçar tudo de novo e de forma diferente, sem pressas, sem diferenças, sem exclusões.
Partiu, depressa, sem aviso, mas, afinal, não voltou nunca.
Foi a pressa que a trouxe e foi ela que a levou.
De toda essa vida conseguiu deixar apenas uma pergunta: Porquê?
Mas também foi esquecida com velocidade.