segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Buenos Aires, Lisboa,  Milão,
Legñano,Veneza, Badajoz, Madrid
Tanto mundo lá fora, onde estive contigo
Por vezes só em pensamento
Quase sempre sem sair daqui.

Recordo, revivo, revejo tudo...
Mesmo cada simples momento
E todos eles me causam este sofrimento!

Peço, então, a Deus que me ajude
A um deus em quem não acredito
A um deus que eu não conheço
A um deus que me abandonou.
Peço-lhe que me auxilie
Neste desconforto infindável
E que me deixe esquecer
Que me ajude  a não ouvir
Que me me faça não ver
Quem por mim passou, me marcou e partiu
Mas em mim seu sinal indesejável
Para sempre deixou.

Peço a Deus que me oiça
Que se renda, se mostre e substitua
Todas as cidades em que contigo estive
Por um oásis de verde vestido
Para que então possa festejar
E, finalmente, de nada me lembrar!
JC - Inédito
                         

sábado, 8 de setembro de 2012

Devolve-me o que me pertence



Devolve-me tudo o que me roubaste
Tudo o que te dei.
Devolve-me os meus beijos e os carinhos
Que contigo levaste.
Restitui-me os sorrisos, a cumplicidade
A partilha que tivemos
Em momentos únicos de felicidade.
Volve-me a esperança
Que me arrancaste
Juntamente com a confiança
Que contigo levaste.
Recambia-me todas as palavras que te disse
Os versos que te dediquei
Os segredos que a ti confiei.
Dá-me aqueles projetos que construímos
Os desejos que juntos formulámos
O futuro que não erigimos.

Eu... Eu devolver-te-ei o que me confiaste
Em palavras soltas,
Em poemas declamados,
Em beijos roubados
Em fugidios instantes vividos.
Dar-te-ei tudo o que me  deixaste:
As insónias e as lágrimas
As expectativas e as desilusões
As horas de espera e as decepções
As alegrias e as memórias
As viagens e os trajectos traçados.

E as contas ficarão saldadas
Para, depois, tudo poder arrumar
Num cofre escondido e selado
Para que nunca mais
Em ti tenha que pensar
Para que nada mais
Tenha que reviver
Para que de ti
Não tenha que mais me lembrar
Não tenha que mais te querer.
Devolve-me o que me pertence!!

JC - Inédito

quinta-feira, 23 de agosto de 2012


               Sempre presumi que te reconheceria assim que te  visse. Cheguei a sonhar contigo, quando ainda as ilusões frequentavam o meu querer. Pensei que poderias fazer parte da minha vida, nem que fosse de quando em quando, nem que viesses e partisses para depois regressares novamente.
                Achei que saberia viver contigo e que isso faria toda a diferença.          
                Porém, não te encontro, não te conheço, não te reconheço quando, ao longe e de forma fugaz, me acenas em tom de zombaria, para me virares as costas de imediato.
                Finges estar comigo, mas não és tu... és algo parecido... ou diferente, talvez.
                Não é fácil, viver assim!
                Afinal, quem és e onde estás tu, Felicidade???

JC - Inédito

sexta-feira, 17 de agosto de 2012






"A tragédia da vida não é a morte, mas sim o que deixamos morrer em nós enquanto vivemos." 

Norman Collins

quinta-feira, 12 de julho de 2012

...


Há dores que não passam, apenas se transformam. Há feridas que não saram, apenas ganham crosta.
Há pessoas que não voltam  mas não se esquecem. Há momentos que não são recuperados nem tão pouco substituídos...
Ainda não fui capaz de te deixar partir definitivamente. Ainda te tenho dentro de mim, ainda choro e sinto tudo o que me deixaste porque isso não tem fim.
Passa o tempo, passa a vida, passa todo o meu ser. Já não sonho, já não quero, apenas deixo acontecer.
Um dia, talvez, o destino incerto e sem conserto, hei-de aceitar, ignorando a dor, dissipando a saudade sem nada dizer...
Há dores que não passam.

JC - Inédito

sábado, 21 de abril de 2012

EU


Eu sou esta
Mas também sou outra
Sou a que ri,
talvez de si própria
Mas também a que chora,
talvez pelos outros.
Sou a rocha, o monumento imponente
Que permanece no tempo
Mas também a pedra de gelo,
que derrete facilmente
o pedaço de vidro frágil,
que quebra simplesmente.
Sou a que luta sempre sem cansaço
Mas também a que desiste por exaustão.
Sou Mulher forte e segura
Mas também menina frágil e temerosa.
Sou a que não precisa de amor
Mas também a que quer ser amada.
Sou a que tem a solidão
Mas também a que quer companhia.
Sou a que nada incessantemente
Mas também a que se afoga em mágoas.
Sou aquela que já nada sente
Mas também a que tem dores de angústia.
Sou aquela que nada pede
Mas também a que tudo quer.
Sou aquela que destrói impossíveis
Mas também a que edifica improváveis.
Sou a que mata sonhos
Mas também a que fabrica esperança.
Sou a escuridão que cai
Mas também o sol que brilha no horizonte.
Sou o deserto agreste
Mas também o oásis tranquilo.
Sou o que resta do passado
Mas também o caminho do futuro.
Eu... sou apenas assim
Este jogo de opostos

Neste mundo de desengano
Neste deserto sem fim...

JC - Inédito