domingo, 29 de março de 2009

Ser




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda
Quero seguir este conselho e continuar a ser... a ser apenas o que consigo, o que posso, o que me deixam... não tudo o que queria efectivamente SER.Vou continuar a embrenhar-me em cada dia que passa, em cada pequeno nada que faço, esforçando-me para continuar a crescer e atingir o patamar seguinte, ainda que em pequenos passos. Sim, vou seguir as minhas emoções, ainda que adormecidas por vezes e mesclá-las com a minha vontade e com a minha racionalidade. Vou ser e continuar a dar o melhor de mim, ainda que os outros não se apercebam que eu me esforço e que existo.E vou continuar a crescer, enquanto ser, querendo sempre ... SER!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Internet


Inventámos uma nova forma de estar na vida através da Internet.

Com ela ligamo-nos a tudo e a todos e viajamos pelo mundo sem nos ligarmos a nada ou a ninguém e sem saírmos do mesmo sítio.

Inventamos também, alguns, pessoas que não somos, mas que possivelmente gostariamos de ser porque soltamos o outro "eu" que existe dentro de nós.

Quanto a mim, prefiro ser eu o tempo todo e não brinco ao "faz-de-conta", com as consequências que isso possa acarretar.

Na Internet fazemos amigos a quem nunca vimos ou veremos cara a cara, arranjamos inimigos, zangamo-nos, rimos e choramos, experimentamos sentimentos novos porque também eles criados através do virtual...

Estes são os frutos do nosso tempo, mas devemos, contudo, ter algum cuidado com tudo isto porque se tal não acontecer podemos saír magoados sem ser virtualmente e então sentir-nos-emos no deserto e não haverá "net" que nos valha!!!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A Esperança e Eu


Não nos devemos perder na armadilha da Esperança, 
na ilusão de que a suposta ajuda vem de fora, 
que é o "outro" que pode preencher o nosso aparente vazio.

O "preenchimento" é sempre interno e só quando estivermos plenos de nós e em nós, 
poderemos ser felizes
e pensar noutro tipo de esperança...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sonhos


Vivemos sempre à volta dos sonhos. É inevitável, mesmo quando não o admitimos.

Primeiro talvez dos sonhos dos nossos pais, daqueles sonhos que sobraram deles ou que faltaram ser concretizados por eles próprios... então, quando isso acontece, somos forçados, de algum forma, a alcançar o que lhes ficou em suspenso...

E vamos então, em simultâneo, formulando os nossos sonhos, esforçando-nos por edificá-los para que eles não se percam nem sejam esquecidos ou se desvaneçam nas teias das nossas dificuldades e impossíveis.

Temos depois os nossos filhos e, por algum motivo (ou por vários) começamos a ter sonhos nossos para eles, projectando nas suas vidas a concretização de sonhos que foram nossos mas que não vivemos e não atingimos: faltou-nos o tempo, a coragem ou a oportunidade.

Inevitavelmente, porque não passaram disso (de sonhos!!) um dia "acordamos" e damo-nos conta que os sonhos apenas foram isso mesmo, que não se concretizaram ou que andámos a viver os sonhos de outros ou que quisemos que alguém vivesse o nosso sonho.
E vem a dor, um acordar forçado, abrupto e difícil de aceitar.


Valerá a pena sonhar inventando desejos e projectos???
Creio que sim pois a ilusão também faz parte da realidade da vida.
Quando deixarmos de sonhar, por e para nós ou mesmo por e para alguém que amamos a nossa vida tornar-se-á certamente mais inobjectiva...
Vamos sonhando...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Heranças e Homenagens

Quando tudo o resto parece desmoronar-se ao meu redor, agarro-me com todas as forças (qual leoa ameaçada) ao que possuo, ao que será eterno para mim, ao que é palpável, verdadeiro e constante.

Tenho uma riqueza enorme que recebi como herança; é um legado sem matéria, mas do qual me orgulho: não são terrenos,nem castelos ou moradias; não é ouro ou jóias, nem pedras preciosas; não são carros de alta gama nem barcos ou aviões.

Essa riqueza é "apenas" fruto de um conjunto de princípios e de valores, envoltos em amor verdadeiro, que me foram dados em vida pelos meus progenitores.
Orgulho-me deles e do pequeno-Grande império (de coisa nenhuma material) que conseguiram construir e transmitir aos seus filhos.
São eles o pilar da família e da razão. São eles o porto seguro onde invariavelmente os descendentes acostam em alturas de maremotos. São eles a bonança, sempre presente em cada tempestade gerada no exterior. São eles o amor e o carinho, a sensatez e a esperança, mesmo depois de quase todo o mundo já ter desabado sobre si.

Porquê, então, fazer-lhes uma homenagem póstuma, quando já não a puderem ver, sentir e ouvir?
Homenageio-os todos os dias, em pequenos gestos, em pequenas atitudes, em pequenos actos e atenções.
Fruo todos os momentos que passo com eles, e faço-me de forte e independente, mesmo quando me sinto fraca, carente deles e do seu amor e pretendo desistir de tudo... sabendo que não o posso fazer, que não o devo sequer pensar.
Sofrer sozinho é a forma mais complicada e dolorosa de o fazer... por isso, com eles, até a dor é partilhada.

Quando o tempo passar de forma abrupta e irreversível e os levar para longe da minha vista, continuarão dentro do meu ser, fisica e sentimentalmente.
Sou portadora dos seus genes, mesmo daqueles raros e indesejados, que transporto dentro do meu corpo e que, sem o saber, já os dei como herança ao meu descendente.
Mas não vou nunca fazer desses genes indesejados uma forma de vida, ainda que para isso tenha que lidar com a ignorância dos que se dizem perfeitos.
E não vou nunca esquecer a aprendizagem feita graças aos grandes lutadores que me deram origem.
Para eles, apenas o meu humilde e eterno agradecimento e o meu infinito reconhecimento, mesmo quando as palavras mais pomposas me faltam, mesmo quando o sofisticado se tornou simples.

Neste momento, sou apenas uma leoa ameaçada, de garras de fora, em luta, porque tudo em meu redor se desmoronou.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Os medos do medo...


Tenho MedoS.
Muitos MedoS de muitas coisas diferentes, palpáveis alguns, etéreos outros...
Tenho medo que o meu medo se materialize e que me faça ver todas as pessoas a perderem os valores que diziam ter;
tenho medo que o sol deixe de brilhar dentro dos corações dos que acreditam que ser feliz é possível;
tenho medo que o medo me tolha e impeça de ser forte e de lutar pelos meus projectos;
tenho medo que o frio se alie à cobardia dos que se escondem atrás de poemas roubados, ou de colecções ridículas de fotos e todos se transformem assim;
tenho medo que a falsidade tome conta dos que me rodeiam;
tenho medo que o tempo me consuma antes de eu perder todos os medos e poder lutar contra eles;
tenho medo que à força da dor, deixe de ser eu própria;
tenho medo que, por me baterem tanto, possa perder para sempre o riso e a boa disposição que fazem parte de mim;
tenho medo que matem o amor que mora no meu coração antes que eu o possa distribuir da forma que quero...
tenho medo que o Mal prevaleça sobre o Bem...
E tenho MedoS dos quais nem ouso falar pois só de pensar neles, sofro por antecipação...
Tenho tantos MedoS!!!