![]() |
| Foto retirada da net - Autor desconhecido |
Para construír castelos
Pois construtora e proprietária
De muitos já sou;
Também não quero mais desgostos
Pois uma torre enorme
Já tenho com eles edificada;
De lágrimas de dor
Também não preciso
Porque um rio já corre à minha frente
Com elas nascido
Rio revolto, desgovernado,
Sem margens respeitar
Sem limites querer ter;
De mais desprezo não careço
Pois transparente me tornei
E os castelos edificados
Foram construídos numa ilha
No meio do meu rio...
E ruiram.
De vexames também não
Pois mesmo vexada
Surgem de quando em quando
Flechas que me perfuram
Sendo eu o alvo mais fácil de todos.
Perfurada, perdida, isolada, ferida,
desarmada é fácil ser-se alvejada.
Não preciso de aqui estar.
Não quero cá permanecer.
Não há motivos nem pessoas
Para o merecer
Já me fui... há muito que Eu já não sou
Espero apenas o momento
De este corpo abandonar e,
Finalmente, na eternidade, poder descansar.
Ai, que cansaço!
Ai, que desilusão!
JC - Inédito





