segunda-feira, 19 de maio de 2014

Talvez

Depois do vazio, há mais vazio
Depois do silêncio, há mais silêncio
Depois da perda, há mais perda
Depois da solidão, há mais solidão.

Assumi que no vazio, não faria mais frio
Assumi que o silêncio fosse substituído por palavras
Assumi que a perda deixasse de doer
Assumi que a solidão fosse preenchida... apenas preenchida.

Presunção a minha
Quando, sem me aperceber,
Deixei de aprender
E perdi tudo o que tinha.


Mudei-me então para a minha Ilha
Situada no deserto lunar
Onde a distância dos outros é tão grande
Que ninguém lhe consegue chegar.

E embora saiba onde estou
O que quero ser e para onde pretendo ir
Por vezes sinto-me à deriva
Sem nenhum porto seguro onde ancorar
Para, depois de restabelecida,
Poder voltar a partir.


Não. Afinal o silêncio foi quebrado
Por ferozes raios e trovões
Tudo foi preenchido e transformado
Em lugar de medo e confusões.


Continuam a entrar, sem que os consiga tolerar
Procissões de adversidades para ultrapassar.
Não são minhas, não as quero!
No entanto, foram elas que me vieram presentear.


Fui consumida pelo cansaço
A energia deu lugar à exaustão
Assim, não quero ser eu.
Deste modo, quero ser qualquer outra.


Tudo é já passado.
Quero O futuro.
Que venha ele.
Adeus presente.
Adeus vazio.
Adeus, adeus para sempre!

JC - Inédito

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

“Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens.
Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti.
Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo.
Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer.
Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente.
Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade.
Com as coisas que vão nos acontecendo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar. Apenas tudo segue em frente.

Jorge Mario Bergoglio


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

My dream

My dream is a place
Without a name or a face;
My dream is someone
So hot as the sun;
My dream is an occupation
Without a career but a great motivation;
My dream is a rainbow
A shell, a memory, a ball of snow;
My dream... is to be free,
to feel,
to conquer
and to win,
To seduce,
to ride the emotions
locked inside my heart
To live all, before I dye!
My dream...
My dream is to fly!


JC - Inédito

domingo, 24 de novembro de 2013

I know her

I'm sure I know her
I can recognize when she's coming
I know her signs
I know her smell
I know her pain.

However, I can't move a finger
To stop her
To tell her how much I hate her
And yet,
How much I need her...
Just for me
And for nobody else.                                                                                                                                                                         Foto retirada da net - autor desconhecido
She's stealing me everyone that I love
Everybody that I need
Everything that belongs to me.

I don't know how longer
I'm going to resist her
I'm going to stay here
Without looking for her
Because
Right now
I need her
And I smell like her
Just because
I'm no longer alive!

I'm sure I know her!


JC - Inédito


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Folhas

As folhas do livro da minha vida
Que deviam estar por escrever
Estão já todas escritas
Pelo que eu nada posso fazer.

A minha história está escrita e destinada
E em nada a posso mudar.

Mas não assisto pacificamente
À passagem dessas folhas
Pois cada uma que passa
É uma luta que travo
Com o mundo
E comigo própria.

Não posso ser autora                      Imagem retirada da net
Da vida que vivo diariamente
Limitaram-me a ser personagem secundária
Sem grande envolvimento.

Sou, assim, apenas figurante
Na grande odisseia da minha vida.

E cansada de tentar escrever
Um guião entre linhas já escritas
Não há realizador que me queira
Nem público que me saiba conhecer.

Sou, por isso, um fracasso
À partida,
Sem presente nem futuro
Que pretenda
Mas onde um passado
Me guilhotina qualquer movimento.
Para quê, seguir então, este vil guião?

As forças vão-me faltando
E a vontade, essa também
Deve ser inexistente
Nos anexos das minhas páginas imerecidas.

Pereço, então, com muita dor
Neste palco sem entendimento
Por este guião sem um bom argumento
Por este público sem amor!

JC - Inédito

domingo, 3 de novembro de 2013

De costas voltadas

Afinal não partiram simplesmente
Da forma cruel que considerei
Apenas desistiram de mim
De um maneira que nunca ponderei.

Cada um de sua vez
De um modo que jamais aceitei
Até que não restasse ninguém
Mesmo quando procurei
Insisti e desejei.

E se por um lado a casa esvaziou
Mesmo sempre que precisei
Por outro, a lista aumentou
E a dor... a dor comigo acabou.

Hoje não vivo
Embora ainda me restem sentimentos
Estou morta por dentro
Há já muito tempo
Possuo uma cobertura por fora
Para encobrir uma mentira
Que escondo a toda a hora.

Não é fácil estar assim
À espera que ela venha
Mas não vou dar a ninguém
A oportunidade da minha lista aumentar
E a mim, de novo poder magoar.

JC - Inédito