domingo, 30 de junho de 2013

DESdita

Finjo ainda que vivo
Pedaços de uma felicidade que não tenho.
Vem sempre emprestada
Vestida de pedaços de nada
E extingue-se quando
Abro bem os olhos
E constato que não é minha.

Não é felicidade
É dor fingida de alegria
E assim que a verdade se faz dia
É descoberta
A mesma triste realidade.

E os balões de soro
Que antes me alimentavam
Rebentam agora
Sem sentido e extemporaneamente
Causando-me outras feridas
E outras maleitas
Inesperadas e desconhecidas
Outras fomes, agora insatisfeitas.

Roubaram-me quem eu era
Por isso já não sei quem sou
Sei que dói
Sei que a voz mesmo calada
Não acerta
Que o acto mesmo sem ser feito
É incorrecto.

Dói-me o peito
Dói-me a dor
Já não sei o que fazer.
Não tenho para onde ir
Onde me abrigar
A quem me dirigir.
Resta-me a dita,
Tão certa mas tão tardia.
Quero tê-la
Quero vê-la
Hoje, oh, já hoje
Agora, à noite
Antes que a brisa quente
Traga o ar de dia!!!

                JC - Inédito

domingo, 31 de março de 2013

Pegadas




Contra a minha vontade e seguindo os alvitres
Deixei de lado os sentimentos
Os sonhos e as saudades,

Os amigos, os desejos e as vontades
E tentei esquecer todos os anteriores momentos
As dores e os sofrimentos
Do passado que vivi
Da vida que me fez
Das experiências que era,
Para começar tudo de novo.
Mas… se começo tudo de novo
Como sei quem sou
Como sei para onde vou
O que quero e o que procuro
O que aprendi e o que não quero repetir
Quem conheço e quem me marcou
Quem me ignorou e quem me amou?
Com sei qual o caminho a seguir
Como sei se ainda devo fugir
Como sei o que devo sentir?
Agora, neste momento ainda não conheço as cores
Os sons bonitos ou os belos odores
Mas já sei que me sinto vazia
Já percebi o que é a escuridão
O frio e a solidão
O amargo da mentira
E o podre da traição.
Deverão eles fazer parte desta minha nova vida?
Quem sou eu? Onde estou? Para onde vou?
Quem roubou o meu ser ou quem me anestesiou?
Não adianta distrair-me
Pretendendo ser o que não sou
Desejando esquecer o que não consigo
Querendo mudar o imutável.
Sigo então neste caminho já trilhado
Neste destino já traçado
Com um passado que se prolonga
E sem futuro que se vislumbre
Num presente dolente que nunca termina
Numa dor infinda que apenas a negrura ilumina.
E assim, sei quem sou
O que fiz, onde estou
Mas não para onde vou
Porque não há desígnio para mim
A não ser o que conheço…
E talvez o único que mereço!

               JC - Inédito




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Buenos Aires, Lisboa,  Milão,
Legñano,Veneza, Badajoz, Madrid
Tanto mundo lá fora, onde estive contigo
Por vezes só em pensamento
Quase sempre sem sair daqui.

Recordo, revivo, revejo tudo...
Mesmo cada simples momento
E todos eles me causam este sofrimento!

Peço, então, a Deus que me ajude
A um deus em quem não acredito
A um deus que eu não conheço
A um deus que me abandonou.
Peço-lhe que me auxilie
Neste desconforto infindável
E que me deixe esquecer
Que me ajude  a não ouvir
Que me me faça não ver
Quem por mim passou, me marcou e partiu
Mas em mim seu sinal indesejável
Para sempre deixou.

Peço a Deus que me oiça
Que se renda, se mostre e substitua
Todas as cidades em que contigo estive
Por um oásis de verde vestido
Para que então possa festejar
E, finalmente, de nada me lembrar!
JC - Inédito
                         

sábado, 8 de setembro de 2012

Devolve-me o que me pertence



Devolve-me tudo o que me roubaste
Tudo o que te dei.
Devolve-me os meus beijos e os carinhos
Que contigo levaste.
Restitui-me os sorrisos, a cumplicidade
A partilha que tivemos
Em momentos únicos de felicidade.
Volve-me a esperança
Que me arrancaste
Juntamente com a confiança
Que contigo levaste.
Recambia-me todas as palavras que te disse
Os versos que te dediquei
Os segredos que a ti confiei.
Dá-me aqueles projetos que construímos
Os desejos que juntos formulámos
O futuro que não erigimos.

Eu... Eu devolver-te-ei o que me confiaste
Em palavras soltas,
Em poemas declamados,
Em beijos roubados
Em fugidios instantes vividos.
Dar-te-ei tudo o que me  deixaste:
As insónias e as lágrimas
As expectativas e as desilusões
As horas de espera e as decepções
As alegrias e as memórias
As viagens e os trajectos traçados.

E as contas ficarão saldadas
Para, depois, tudo poder arrumar
Num cofre escondido e selado
Para que nunca mais
Em ti tenha que pensar
Para que nada mais
Tenha que reviver
Para que de ti
Não tenha que mais me lembrar
Não tenha que mais te querer.
Devolve-me o que me pertence!!

JC - Inédito

quinta-feira, 23 de agosto de 2012


               Sempre presumi que te reconheceria assim que te  visse. Cheguei a sonhar contigo, quando ainda as ilusões frequentavam o meu querer. Pensei que poderias fazer parte da minha vida, nem que fosse de quando em quando, nem que viesses e partisses para depois regressares novamente.
                Achei que saberia viver contigo e que isso faria toda a diferença.          
                Porém, não te encontro, não te conheço, não te reconheço quando, ao longe e de forma fugaz, me acenas em tom de zombaria, para me virares as costas de imediato.
                Finges estar comigo, mas não és tu... és algo parecido... ou diferente, talvez.
                Não é fácil, viver assim!
                Afinal, quem és e onde estás tu, Felicidade???

JC - Inédito

sexta-feira, 17 de agosto de 2012






"A tragédia da vida não é a morte, mas sim o que deixamos morrer em nós enquanto vivemos." 

Norman Collins