Está cada vez mais ténue a cada dia que passa, a cada acontecimento que surge esta minha outra fronteira. De tal forma que eu própria me amedronto com o que possa suceder... com o desconhecido que aí vem... com o buraco em que me estou a recolher.
De tanto sentir tenho momentos em que me parece que já nada sinto pois a dor de estar viva é tão intensa, tão profunda, tão dilacerante que até o próprio acto de respirar me é algo insuportável.
A um tempo recebo sinais contraditórios e, por isso mesmo, dúbios, vindos de todo o lado de tal forma que já não os consigo interpretar.
Quero gritar mas a voz já não me sai; quero correr e fugir mas as pernas já não se mexem; quero parar de respirar mas involuntariamente os pulmões continuam o seu movimento compassado.
As ideias misturam-se e os sentimentos também se mesclam. Tudo está amalgamado e o meu cérebro dá-me ordens incompatíveis perante as informações que tem vindo a recolher e armazenar.
Quero acreditar, mas creio que não acredito. Junto peças e mais peças deste imenso puzzle em que estou inserida e muitas delas não encaixam... e das que encaixam, não gosto do resultado.
Quero acreditar, mas creio que não acredito. Junto peças e mais peças deste imenso puzzle em que estou inserida e muitas delas não encaixam... e das que encaixam, não gosto do resultado.
Analiso os dados uma e outra vez e tudo fica sempre mais obscuro, como se tu fosses dois... como se eu fosse duas... como se tudo fosse geminado mas antagónico.
Não consigo processar tanta informação, tanta confusão, tanta falta de conexão.
Queria parar, de uma vez por todas e ser apenas uma pessoazinha regular e inocente, com pouca sabedoria e pouca curiosidade no conhecimento. Queria ser alguém tão regular que não interrogasse cada gesto, cada palavra, cada acto que lhe surge como ambíguo.
Queria proteger-me de mim própria, do que sei que nunca me vai acontecer, do final que vou ter, do futuro que não vai suceder.
E vou também perdendo tudo, perdendo todos.
Lenta e compassadamente todos me vão abandonando e partindo, seguindo os seus rumos, não importa quais eles sejam.
Lenta e compassadamente todos me vão abandonando e partindo, seguindo os seus rumos, não importa quais eles sejam.
E a fronteira esbate-se... atenua-se... esvazia-se deixando-me cada vez mais isolada. Como me irei encontrar? Como me poderão saber?




