Sem pretensões... Apenas para partilhar as palavras que me sufocam e voam demasiado céleres dentro do meu pensamento, reunidas em poemas que contam estórias... ou em crónicas de ninguém, sempre inventadas... por uma maria de luz (sem acordo ortográfico)
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Tatuagens
Deixa-me olhar fundo nos teus olhos,
Nesse olhar quente que me tatua
Com imagens de cor e de prazer
Marcando-me em forma de querer.
Quero aprender-te, se tu deixares
Saber-te, se tu me ensinares
Compreender-te sempre,
Mesmo sem tu mo dizeres.
Proteges-me no teu abraço quente
E eu, deleitada, nada faço,
A não ser render-me
Ao calor ardente do teu corpo forte.
Não importa quem tu foste,
O que fizeste e viveste
Nem tão pouco quem amaste
Porque hoje, és tu, novo, comigo.
O meu teu agora, começou.
Não importa quem eu fui
Quem não amei e de quem sofri.
Estou aqui, Mulher, liberta, única,
Renovada Virgem, para ti.
Contenho-me, em espasmos de ardor.
Não me deixo muito sentir
Assim, de repente. Por recato,
Vou, lentamente, ao teu encontro.
Viajamos
No espaço, no tempo, ou em nenhum deles.
Viajamos em nós,
Tu em mim e eu em ti,
Em viagens de cumplicidade e alegria
De reconhecimento e de desejo
De prazer e preenchimento.
Por isso, cada nosso momento
É único e rico
Enriquecedor e gratificante...
E nesta doce mudança,
Os dias acontecem, plenos
Com uma nova esperança!
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Não te amo

"Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai!, não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai!, não te amo, não.
Ai!, não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
Não te amo. És bela, e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh!, não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror ...
Mas amar... não te amo, não."
Almeida Garrett
Os cinco sentidos

"São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!
Divina - ai!, sim, será a voz que afina Saudosa - na ramagem densa, umbrosa,
Será; mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!
Respira - n’aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!
Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede ...sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos,
É só de ti - de ti!
Macia - deve a relva luzidia Do leito - ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti - em ti!
A ti! , ai, a ti só os meus sentidos Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti."
Almeida Garrett
sábado, 16 de abril de 2011
Batalhas

sexta-feira, 15 de abril de 2011
On ira

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