sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pedras no caminho


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

sábado, 6 de junho de 2009

Coisas de família


Ao contrário do que à primeira vista se possa pensar, não há vantagens em ser um dos elementos mais novos de um clã. Pelo contrário... parece-me que as desvantagens se vão acumulando com o passar do tempo.
Senão vejamos apenas algumas: em criança a diferença de idade não me permitiu um crescimento e um amadurecimento muito próximo dos meus irmãos. Quando cresci um pouco mais e estava "quase" apta a poder partilhar com eles um pouco de mim... fugiram-me, procurando o seu próprio crescimento.
Os anos continuaram o seu curso, cada qual edificando a sua ala da família e hoje, com mais de meia idade (o que é isso? quando sabemos que estamos a meio do fim da nossa vida? há algum marco, algum sinal??) vejo-me a assistir ao despedimento gradual dos que povoaram a minha vida e que, de uma forma ou de outra, me acompanharam, ainda que tenha sido à distância.
Olho em meu redor e vejo em sofrimento, em perda contínua de saúde, de consciência e de faculdades muitos dos que me são mais queridos, daqueles que são sangue do meu sangue.
Nomes como hipertensão, trombose, diabetes, cancer, alzheimer, parkinson e fabry passaram a fazer parte da minha família, como se meus familiares fossem também.
E alguns dos membros mais velhos apenas conseguem aceder à informação antiga que possuem na sua base de dados, como se algum trojan horse tivesse
entrado no seu sistema e corrompido os ficheiros...
Assisto a todo este processo com tristeza, com dor e sem impunidade pois, apesar de mais nova... tenho todos esses nomes em testamento.
Vantagens, então, de ser mais nova???

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia da Criança


"Teus filhos não são teus filhos.

São filhas e filhos da vida por si mesma.

Eles vêm através de ti mas não de ti

E embora estejam contigo, não te pertencem."

terça-feira, 12 de maio de 2009

Animais VS Pessoas


Já tenho meditado várias vezes sobre este assunto; já tenho deixado transpirar, outras tantas, muito do que penso e sinto acerca do mesmo; parece-me até que já estou meio vacinada para as situações, que já vi e vivi quase tudo o que ainda me poderia causar espanto.
Engano o meu!!
Contínuo a espantar-me e a ficar surpreendida com a atitude pequenina de algumas pessoas, mas, sobretudo a ficar magoada com essa mesma atitude.
Por mais "perfeita" que queira ser (afinal... o que é isso da perfeição???), por mais discreta e neutra que seja a minha presença, o meu estar e participar na vida da comunidade em que me insiro, nunca o consigo e acabo sempre por ser alvo de conversas (vulgo falatório ou, melhor falando, de coscuvilhice); mesmo nada fazendo, comportando-me de forma correcta (como sempre o faço, como princípio de vida) sou alvo de críticas, de falazares.
Pergunto-me ainda e no entanto, o que confere às pessoas esse direito?
Gostaria que essas pessoas, todas elas necessariamente com vidas imperfeitas, cheias de buracos e de telhados de vidro, me dissessem porque não se limitam à temática sugerida pelas revistas coloridas e das novelas das quais tanto gostam?
É que, dessa forma, com o espírito e as línguas ocupadas por esses assuntos, não teriam espaço para me chatear, aborrecer, comentar...
Reflectindo melhor, afinal o que eu sinto por essas pessoas é dó, é comiseração pela sua pequenez de espírito; elas não são mais do que umas coitadas, cínicas sem dúvida, que se ocupam da vida dos outros a fim de esquecerem a sua própria vida, também ela cheia de defeitos (porque humana, sem dúvida!) e muito vazia de conhecimentos, sentimentos e acontecimentos...
E então, se Ele lá estiver em cima em observação, perdoar-lhes-à... pelo menos é essa a minha vontade.
No entanto, apraz-me dizer que, quanto mais conheço as pessoas e mais lido com elas, mais gosto dos animais, esses sim, puros e dedicados incondicionalmente, constantes no seu amor, sem maldade e sem línguas afiadas!!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

E agora?


E agora? Agora... o que hei-de pensar, dizer, sentir?

Ando por ali (por opção consciente) desde 88. Apesar de tudo tomo-o também um pouco por "meu" (sim, temos a mania da posse, eu sei), passo nele todos os dias, para baixo e para cima sem problemas, sentindo-me "segura" porque todos os que nele habitam (ou alguns que informam os todos) me conhecem, porque não sou persona non grata. porque apesar de todas as suas imperfeições consigo gostar deles e de os tratar com respeito (quando mo merecem e me tratam da mesma forma), porque ao longo de todos estes anos sempre lhes dei o meu melhor para os ajudar e para contribuir para o seu crescimento enquanto pessoas e para a sua integração numa sociedade também imperfeita...

Sempre, ainda que de uma forma velada, os defendi à minha maneira, tentei percebê-los e desculpar os muitos dos seus actos incorrectos... entrar um pouco nas suas vidas vazias porque sem objectivos, porque sem princípios, porque sem condições, porque sem amor...

Mas agora é isto: coktails mollotof, tiros a torto e a direito, agressões, carros incendiados, desrespeito às figuras (todas) de autoridade...

Agora sou eu que estou triste e revoltada, que não lhes tenho respeito porque estão a desrespeitar tudo e todos; sou eu que sinto a injustiça das gentes que reclamam sem saber exactamente o porquê, que estão a ripostar apenas para não aceitarem o que é óbvio, o que é correcto...

Não tenho medo de ser apanhada por uma qualquer bala perdida; não tenho medo que me incendeiem o meu velho carro; não tenho medo que me apedrejem ou agridam à facada...
Tenho medo e isso sim, que estes "jovens" estejam irremediavelmente perdidos para a sociedade e que o "futuro" que eles podiam ser, não chegue a acontecer.

Mas... em que parte (remota certamente) é que todos falhámos?

E agora? Qual vai ser o caminho... Agora... o que hei-de pensar, dizer, sentir?
Onde está afinal a bela vista prometida?

domingo, 29 de março de 2009

Ser




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda
Quero seguir este conselho e continuar a ser... a ser apenas o que consigo, o que posso, o que me deixam... não tudo o que queria efectivamente SER.Vou continuar a embrenhar-me em cada dia que passa, em cada pequeno nada que faço, esforçando-me para continuar a crescer e atingir o patamar seguinte, ainda que em pequenos passos. Sim, vou seguir as minhas emoções, ainda que adormecidas por vezes e mesclá-las com a minha vontade e com a minha racionalidade. Vou ser e continuar a dar o melhor de mim, ainda que os outros não se apercebam que eu me esforço e que existo.E vou continuar a crescer, enquanto ser, querendo sempre ... SER!